Rugby de Calcinha

A histórica turnê da seleção feminina de XV pela Holanda

Após a super participação do Flavio Santos na Mesa Oval da última semana, onde foi mencionada a existência dessa pérola,  acreditava, anteriormente, que este material estava extinto dos registros históricos do rugby nacional. Mas nãoooo, graças a Deus ele está aqui, para nosso deleite e para nos impulsionar no nosso sonho de jogar um XVzinho malandro.

Pensei, então, em escrever um pouco da história dessa turnê pela Holanda, aproveitando a chegada de mais uma final da Copa do Mundo de Rugby XV Feminina,

Ano que vem, essa parte da nossa história completa seus 10 anos e o que deveria ser motivo de comemoração, se mescla com uma série de sentimentos.
Sentimentos de alegria nos vêm à tona, para lembrar de quão incrível e divertido foi estar fazendo a primeira aparição no cenário internacional, ao lado de tantos times que na época nos brilhavam os olhos e nos davam um baita frio na barriga, por ver aquelas mulheres jogando. Nós conseguimos, unidas, tirar do papel e tornar essa experiência possível.
A comemoração tem sim o seu espaço, não foi fácil nos reunirmos para treinar, abrir mão de feriados e finais de semana, tirar dinheiro do bolso para estar em treinamento em São Paulo. Nós nos fortalecíamos na base da dificuldade, na base do companheirismo então, um viva sim para todas as mulheres incríveis que fizeram parte desse pedaço da história e um muito obrigada Flavio Santos, por sempre acreditar em nós!
A parte triste que fica é o fato de depois de todo o esforço que fizemos para dar esse passo, não conseguimos manter o XV fortalecido, não conseguimos desenvolvê-lo. O seven acabou voltando a ser o foco da seleção, veio o mundial, os patrocínios, a volta do seven para as olimpíadas, as etapas do World Series. Acabamos por mais uma vez adiando nosso sonho.

O tempo passa e a vontade não diminuiu, como dizemos as vezes por aí, depois que o mosquitinho pica, não conseguimos mais largar. E com o XV foi exatamente assim!
Foi uma baita experiência, jogos duros, um time inexperiente e que não deixou a desejar em nada em campo, nossa vontade de estar ali, nosso investimento financeiro, afetivo e pessoal nos davam aquele gás extra para empurrar as Gigantescas Holandesas, para tacklear aqueles pequenos mamutes e para correr. Como diz um ditado, é na dificuldade que nos fortalecemos e foi exatamente isso que aconteceu lá na Holanda. Foram 12 dias de pura união, amizade, cumplicidade se fizeram presentes do início ao fim.
Continuo me perguntando, por que ao invés de simplesmente parar de jogar Rugby? Por que o seven está competitivo demais? Por que a idade já está batendo a sua porta? por que você não foi escalada para jogar? Porque o XV não decola aqui no país, deixaremos de cobrar apoio e incentivo dos outros? Vamos nos pilhar e fazer a coisa acontecer por conta! Afinal de contas, somos mulheres e já enfrentamos um leão por dia para poder desfrutar do esporte, somos acostumadas a lidar e resolver as dificuldades com toda elegância, charme e persistência.

Para que ainda não viu, esta é uma grande oportunidade de conhecer um pouco da história do rugby XV feminino brasileiro.

 

Texto e fotos: Ana Diva Carolina

Vídeo: Charrua Rugby Clube