Helen Entrevista – Paula Ishibashi

As meninas da seleção feminina de rugby sevens tiveram a oportunidade de participar de cinco, das seis, etapas do Mundial de Rugby 7’s Feminino jogando contra grandes equipes.

Conversamos com Paula Ishibashi, que falou sobre a temporada, desafios e o sonho de representar o país nas Olímpiadas.

Confira outras entrevistas!

paula-ishibashi-spac-brasil-franca-sevens-wssHelen Entrevista: Primeiramente, obrigada por separar um tempo para participar dessa entrevista!

Como você resumiria a temporada do Brasil?

Paula Ishibashi: Tivemos altos e baixos durante a temporada. Para nós, foi um circuito de muito trabalho e colhemos coisas muito boas nessas 5 etapas. Todas as equipes eram muito fortes e não podemos menosprezar nenhuma. Diante de 136 equipes nacionais no mundo todo, jogamos contra as 11 melhores e nós estamos dentro das 12 melhores equipes do mundo. Não podemos esquecer esse fato. Conseguimos bater equipes que nunca havíamos batido e então, conseguimos estreitar a grande diferença que nos deixava longe de melhores posições no ranking. Sabemos hoje que Espanha, África do Sul, China e até mesmo Fiji são equipes que podemos jogar de igual para igual. Em outros momentos, fizemos bons jogos também contra equipes top como Canadá e Inglaterra, portanto, nada é impossível. Não é fácil manter o bom ritmo durante toda a temporada. Lesões acumuladas, lesões que tiraram algumas jogadoras do elenco no meio da temporada, jogar com dor, um jogo que não foi muito bom, uma má colocação no primeiro dia de competição…tudo isso compõe as condições que precisamos enfrentar para fazer nosso melhor em campo.

HE: O Brasil já está classificado para as Olímpiadas do Rio 2016. Como você se sente tendo a frente a possibilidade de representar o país, através do rugby e o que te motiva?

Paula Ishibashi: Eu costumo viver uma coisa de cada vez. Claro que é muito gratificante receber em casa a maior competição que um atleta almeja, é empolgante só de imaginar receber as melhores equipes do mundo – masculino e feminino aqui no Brasil, onde até outro dia, muitos nem imaginavam que se praticava rugby em terras tupiniquins. Espero ter a chance de compor a equipe que irá representar o Brasil nas Olimpíadas, mas caso eu não esteja dentro do elenco, já fico muito feliz e agradecida por tudo que vivi até hoje com o rugby. O que me motiva é o grupo incrível que temos e as pessoas que trabalham e acreditam que podemos ser melhores. Muitas meninas e staffs largaram o conforto de suas casas, longe de suas famílias e amigos para se dedicarem exclusivamente a nossa seleção nacional. Me motiva ter a chance de ver nosso esporte crescer, tornando se não só mais conhecido como também mais aceito pela população. Espero que o rugby conquiste mais e mais adeptos durante e após 2016.

HE: Você está na seleção há 10 anos. Quais as principais lições você aprendeu ao longo dos anos e em quê elas te ajudaram a crescer e melhorar ?


selecao-feminina-rugby-sevens-barueri-wss-mundial-de-rugby-femininoPaula Ishibashi: 
Ainda estou aprendendo muitas coisas e com certeza, o que tenho mais dificuldade até hoje é ter paciência. Paciência para colher os resultados, para tomar decisões, paciência com as minhas limitações e buscar outras alternativas, paciência com o corpo, pois com o tempo as lesões são mais frequentes e você precisa se manter firme na recuperação e ter paciência para voltar aos gramados aos poucos. Mas com certeza, aprendi que temos que nos manter firme sob nossos valores que são: respeito, coletividade, paixão e trabalho duro. Sem eles, é muito difícil manter o foco e a fé nos nossos objetivos.

 

HE: Qual foi seu maior desafio como jogadora até o momento?

Paula Ishibashi: Vencer meus pensamentos! Me cobro muito, sou perfeccionista e quando as coisas não dão certo, tenho muito dificuldade para lhe dar com os erros. E errar, também faz parte! Preciso me permitir a errar e tentar de novo. Sempre fui assim, mesmo no clube, eu me desgasto demais pensando nisso e esqueço das coisas boas que fiz. Quando você treina no alto rendimento, existe muita cobrança, pressão, testes e trabalho duro. Então, cada treino é um desafio para se superar a cada dia.


HE: 
Em meio a viagens e treinamentos, o que você aprendeu sobre suas colegas de equipe?!

Paula Ishibashi: Primeiro, que elas são pessoas incríveis. Cada uma com sua individualidade, mas são pessoas muito especiais mesmo. Umas mais sérias, outras mais desligadas, umas são nerds, umas são artistas, umas malucas…rsrsrs. Somos como irmãs! Nos divertimos (e muito!), brigamos, discutimos, erramos, choramos e damos risada novamente. Sabemos que tudo em volta pode desmoronar, que as críticas e cobranças poderão nos magoar, que podemos voltar para casa com um resultado negativo e com vontade de jogar tudo pro ar. Mas como sempre dizemos: nossa corrente, nossa roda onde gritamos Brasil deve manter-se unida, sempre. Enquanto nos mantivermos unidas, nada poderá desfazer esse laço que nos une. Foi isso que aprendi com elas.

brasil-rugby-sevens-world-rugby-wssHE: E por fim, o que você diria para as meninas que querem começar jogar rugby?

 

Paula Ishibashi: Vá em frente! O rugby é um esporte incrível, com valores que nos agregam coisas boas para toda a vida, sem contar que é muito divertido! Sou suspeita para falar!hahahaha…Eu fico muito feliz em ver que temos equipes femininas surgindo em diversos cantos do Brasil. Meninas corajosas que estão trabalhando para ajudar o crescimento de suas equipes, meninas que estão estudando para atuarem na arbitragem, outras são treinadoras, managers, apoiam da forma que podem mesmo que não seja dentro de campo. O rugby é isso e muito mais! Sempre existe uma forma onde você se encontra para dar o seu melhor e se tornar boa naquilo que faz. Para aquelas que pensam em um dia chegar na equipe nacional, primeiro trabalhem duro pelo seu clube. Não basta somente ser a melhor jogadora do time, fazer tries, ser destaque. Você tem que ser exemplo também, tem que ajudar, chamar a responsabilidade, ajudar a ensinar o rugby para as novatas, respeitar as equipes adversárias, os árbitros, seu clube, suas amigas de time. Esses valores é o que tornam um(a) jogador(a) uma pessoa melhor, uma referência. Com certeza, você alcançará seus objetivos se cumprir seu papel dentro do seu clube.

Quem você gostaria de ver aqui na nossa coluna de entrevistas?

Acompanhe a Paula no Facebook e no Twitter!

Imagens: Helen Lagares