Rugby de Calcinha

Rugby, haja amor!

Por Leca Jentzsch 

Hoje é dia do esporte amador e fiz questão de escrever sobre este tema, pois noto que a confusão (com razão) sobre o que é considerado atleta amador e atleta profissional se dá principalmente pelo fato de não se saber exatamente até onde vão os limites do amadorismo e o profissionalismo.

Primeiramente gostaria de esclarecer que em se tratando de rugby somos todos amadores! Sim, rugby é esporte de amador (e haja amor). Mesmo com a visibilidade que nosso esporte obteve devido ao advento olímpico, onde se iniciou o investimento no setor e começou a entrar dinheiro para aqueles que se organizaram, mesmo assim ainda não é o suficiente para profissionalizar os atletas. Os patrocínios (principalmente de lei de incentivo fiscal) estão sendo utilizados para organizar e desenvolver os clubes, e com este desenvolvimento muitos clubes melhoraram seu desempenho e isto se refletiu nos resultados em campo. Com conquistas esportivas, os atletas entram na almejada lista das bolsas atletas (federais e estaduais) e isso melhora a vida de todo mundo. Porém melhorar não quer dizer resolver e o que acontece é que os atletas que recebem bolsa conseguem treinar com mais tranquilidade (porém não sem sacrifício).

Todos sabemos que o esporte de alto rendimento é exclusivo, seja ele qual for, ou seja, não inclui todo mundo, pois nem tem espaço para isso. O que acontece é que devido a falta de incentivo e/ou de organização para os atletas, muitos tem que competir e conviver com outros em condições diferentes de investimento. Explico: temos hoje no cenário nacional grandes atletas treinando e jogando com pouco ou nenhum incentivo e tendo que jogar e concorrer com outros grandes atletas que tem maior incentivo e condições de se dedicarem e no fim das contas a cobrança (esportiva) é a mesma para os dois.

Se formos falar nas atletas do rugby feminino, por exemplo, nota-se bem isso. As Yaras recebem bolsa atleta, algumas ficam centralizadas na casa da seleção, viajam pelo mundo participando de torneios internacionais, tem suas viagens para treinos e jogos todas custeadas. Será que podemos defini-las como  profissionais? No meu entender do ponto de vista de trabalho, dedicação e sacrifício SIM, mas do ponto de vista jurídico e financeiro NÃO. E é aí que entra a confusão da definição  de amador e profissional.

Seleção brasileira  copa do mundo de rugby 7s

O problema dessas definições está em que, quando se pretende alcançar um alto nível de competitividade, fica difícil combinar a prática desportiva com outra atividade e isso tem contribuído para que cresça cada vez mais o número de desportistas profissionais no sentido da dedicação ao rugby e mesmo assim não se pode chamá-los de profissionais no sentido jurídico, pois com normas jurídicas tão esparsas e retaliadas por inúmeras reformas, o Brasil continua carente de uma lei que regulamente unicamente o contrato de trabalho desportivo. Os dispositivos da Lei 9.615/98 que regulam a prática desportiva profissional, além de suscitarem dúvidas, não são suficientes para abranger todas as peculiaridades do contrato de trabalho desportivo.

Portanto, eu não acho correto dar ao atleta amador a definição: Aquele que compete unicamente por amor ao esporte, e atleta profissional: aquele que recebe dinheiro através da prática do esporte.

Por isso volto a afirmar: no rugby somos todos amadores!

Pelo menos no caso dos rugbiers brasileiros até onde eu saiba, os atletas que ganham bolsa ou mesmo os atletas que recebem alguma ajuda de custo de seus clubes vivem com muito sacrifício a busca do sonho olímpico.

Quando se fala de bolsa atleta não se pode entender salário, pois salário acarreta em uma série de direitos trabalhistas ao qual os atletas de nenhum esporte (tirando o futebol) estão enquadrados e analisando por este lado, estamos longe do profissionalismo no Brasil. Mesmo que nossos atletas tenham o esforço e o sacrifício de jogadores profissionais, a cobrança não pode ser esta, e se formos falar do XV então aí sim haja amadores. Alguém conhece outro nome para os grandes atletas que treinam como loucos e tem menos ou nenhum incentivo financeiro do que atletas do sevens? pelo contrário, pagam suas mensalidades para poderem entrar em campo e defender seus escudos. Alguém conhece atletas mais amadores que estes?

Desde que o mundo é mundo o pagamento sempre existiu, os troféus sempre existiram. Para nossos antepassados o troféu era a caça, ou o status social ou a manutenção da própria vida, o tempo passou e nós rugbiers continuamos na luta, e quero acreditar que o que nos move é o nosso orgulho e nosso amor ao nosso esporte.

Desejo um feliz dia do atleta amador a todos!