Rugby de Calcinha

Quer jogar rugby? Então corra!

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Por Leca Jentzsch

Todos sabem o discurso sobre nosso esporte. Pode ser alto, pode ser baixo, pode ser magro, pode ser gordo! No rugby há lugar para todos.

Porém se estivermos falando de alto rendimento, o discurso não é bem esse.

Me corrijam se estiver errada, mas se formos analisar o seven, por exemplo, pode ser alto, pode ser baixo, mas tem que ser rápido.

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Vendo cada dia mais atletas de atletismo trocando as sapatilhas pelas chuteiras fica uma pergunta no ar.  O que é mais fácil: ensinar um velocista a jogar rugby, ou um rugbier a ser um velocista?

Na verdade um velocista já nasce velocista, é uma questão de composição de fibras (FCR-Fibras de contração rápida, FCL-fibras de contração lenta). Um velocista tem em sua composição um maior numero de FCR.

Porém se você não é nenhum Usain Bolt e não tem “predisposição genética natural” para correr, pode desenvolver a corrida através de treinos e potencializar sua maior velocidade (embora aprender a correr não significa tornar-se um velocista). O que dá pra fazer é melhorar e muito sua corrida otimizando sua velocidade, porém mudar as fibras é impossível!

Se liga: como preparar sua corrida para a seletiva de rugby

Cada dia mais times de rugby estão atraindo corredores. Mesmo no XV, quem não quer uma linha que “voe”? Até os forwards estão enxugando a pança para se tornarem mais rápidos, pois aí está a diferença. Uma primeira linha formada por forwards fortes e rápidos é o pesadelo de qualquer scrum e de qualquer linha.

Quando falo em potencializar a corrida é a isso que me refiro: você pode não ser um velocista nato, mas pode correr o seu máximo!

Mas e aí: corre muito porque joga rugby? Ou, joga rugby porque corre muito?

Minha resposta é: joga rugby, porque é um rugbier!  Como preparadora física, sei que é possível deixar um atletas nos “cascos”, super em forma, ensina-lo a jogar rugby, leis do jogo, fundamentos e todas estas coisas. Porém um rugbier já nasce rugbier. Quem não conhece alguém superveloz, superforte, que treinou super bem, e depois no primeiro jogo “dá primeira chumbada” e simplesmente desanima? Ou então o contrário, um atleta meio perdido (a) que treina entra em campo, leva a primeira chumbada, levanta e segue, e com o tempo torna se um grande jogador (a)?

Porém, filosofias à parte, não quero criar nenhuma polêmica, mas apenas traçar um paralelo entre a importância da preparação física séria, e o rugby ( mesmo porque trata-se de uma questão de segurança). E a bola da vez hoje é a corrida (velocidade e resistência).

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Não vou passar nenhuma sugestão de treino, pois hoje em dia quase todos os times já têm seus preparadores físicos. Porém se você não tem, mande um e-mail contando sua necessidade que eu prometo responder. contato@rugbydecalcinha.com.br.

Por hora vou relatar as três principais valências físicas de um velocista: flexibilidade, resistência abdominal, e força explosiva de membros inferiores. (Notem que são diretamente relacionadas com o rugby).

A flexibilidade é motriz e básica para diversas modalidades esportivas, ela representa  um elemento importante para compor um programa de treinamento pois proporciona o mover o corpo. A ausência de mobilidade apresenta implicações para a saúde, tais como: problema postural, maiores riscos de lesões musculares e articulares, dores lombares, ou seja problemas que atrapalham e muito a vida de um rugbyer.

A respeito da resistência abdominal, a musculatura abdominal representa papel fundamental na manutenção da atitude durante as atividades dinâmicas (saídas de scruns, entradas em hucks, subidas em lines, etc).

A força explosiva de membros inferiores é o tipo de valência física que pode ser explicada pela capacidade de exercer o máximo de energia num ato explosivo, como nas escapadas para o in goal por exemplo.

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São muitas as meninas que vêm das pistas para os campos de rugby. Na Nova Zelândia por exemplo, foi feito um trabalho em buscas das meninas com talento pra corrida, e somado à cultura de rugby do país, resulta no time campeão de hoje, as Black Ferns. A Portia Woodman, uma das principais jogadoras atuais da Seleção Neozelandesa, conversou com a Teresa (jornalista aqui do nosso varal), que contou um pouco sobre sua passagem pelo atletismo.

Portia Woodman / New Zealand

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Rugby de Calcinha: Você veio do atletismo, certo? Quais provas você já participou?Portia Woodman: Eu competi nos 100m, 200m e salto triplo até os 17 anos,  mais ou menos.

RdC: E quando você largou o atletismo para se dedicar ao rugby?
PW: A Nova Zelândia em busca do ouro olímpico colocou pessoas para procurarem atletas em alguns lugares, ao redor do país para recrutarem gente para vir e tentar o rugby.

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RdC: E você nunca tinha jogado rugby?
PW: Nunca. Joguei netball profissionalmente e depois atletismo até agosto do ano passado, quando troquei pelo rugby.

RdC: Mas a gente sempre achou que na NZ todos nasciam jogando rugby… hahaha! Mas você queria jogar antes de ser descoberta?
PW: Sim, claro! Sempre quis jogar mas os atletas e treinadores do netball não deixariam porque é bem perigoso.

No Brasil está se iniciando o mesmo processo, meninas migrando de outros esportes para o rugby, existem muitas, e em muitos estados. Conheça  algumas destas “papa-léguas” que dão tanto trabalho em campo.

Amanda Araujo / Recife Rugby

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“Quem descobriu meu talento pra corrida foi um professor. Eu participava de um projeto na UFPE, onde ele me viu nas atividades e convidou pra fazer parte da equipe.

Quando você começa cedo no atletismo, você tem a oportunidade de passar por várias provas, eu já passei por quase todas, isso dá uma bagagem motora sem comparação, poder participar de provas técnicas, provas rápidas, provas potentes, fortes, habilidosas etc, mas sempre me destaquei mais nas provas de corrida. Já fui campeã do Pernambucano em todas as categorias e em várias provas diferentes.

Minhas melhores marcas:
100m – 12″5
200m – 26″6
400m – 01’00
400m c/barreiras – 1’06”
Salto em Distância – 5,04m

Também já fui campeã Norte/Nordeste (algumas vezes), e tive boas colocações no Brasileiro. Na verdade eu não lembro exatamente de tudo, as vezes faço um monte de provas e fica difícil de gravar”, contou a atleta.

Claudiana Nobre /  Dona Maria Rugby

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“Comecei aos 12 anos de idade no colégio na minha cidade Iracema interior do Ceará. Pratico há dez anos e corro os 100m, 200 m e 400m, de vez em quando faço parte do revezamento 4 x 100m e 4 x 400m.

Melhores tempos 100 m 12,8 segundos; e 40m – 5,5 segundos.

Quero aproveitar a oportunidade que o RdC nos dá para agradecer os apoios que recebo da Secretaria de Esportes e Prefeitura Municipal de Iracema e a Secretaria de Esportes de Fortaleza que me concedeu uma bolsa atleta. E também à amiga e atleta para olímpica Maria Joselita da Silva Moreira (arremesso de peso, disco e dardo) que sempre que preciso me apoia.”

Aline Araújo / Maringá Rugby
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“Meu pai sempre fez várias provas e competições de atletismo e sempre senti vontade de ser igual a ele. Mas até meus 20 anos nunca pratiquei nenhum esporte integralmente. Sempre participava de coisas como jogos amistosos no colégio e depois na faculdade.No começo do mês de Março de 2012 eu entrei para o time de rugby de Maringá.

Em agosto do mesmo ano fui convidada pela equipe atlética de Exatas da UEM, para correr por eles os 100m, 200m e o reveza 4×100. Não lembro os exatos tempos, mas no 100m foi 13s. No 200m fiquei em segundo lugar na minha bateria e no revezamento, ficamos em segundo no geral.

Não acho que seja muita coisa, mas seria legal compartilhar que sem nunca praticar um esporte contínuo, hoje já tenho no meu currículo a participação de diversos esportes em competição universitária, o atletismo e o RUGBY. Com campeonatos estaduais e o Brasil Sevens pelo Curitiba. Já joguei pelo Londrina, por convite. Tudo isso em apenas um ano em quase três meses de esporte. O rugby fez muito para minha vida pessoal.

E quanto ao talento para corrida… descobri ele praticando rugby nos tiros que dava nos treinos, e acho que veio um pouco no sangue também. Quanto à vontade de crescer e ir além, foi com os princípios do rugby que adquiri com mais força.”

Fabíola Ferreira / Lobo Bravo Rugby
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“Meu primo (Nelson Carlos Ferreira Junior) foi atleta olímpico no jogos de Sidney em 2000 no salto em distância, e me vendo jogar futebol em família nas férias de verão de 2008, me chamou para entrar para a equipe Grupe Rede Atletismo, Bragança Paulista/SP. Fiz um teste, passei e comecei a treinar heptatlo.Machuquei minhas pernas e, por isso, passei a treinar só a parte superior, enquanto fazia fisioterapia para as pernas.

Nesse meio tempo acabei adquirindo muita força nos braços e então meu treinador me mudou para a prova do lançamento de dardo. A soma de tudo isso me ajuda muito no rugby. E minha historia com o rugby é igual a muitas outras: fui assistir a um treino do masculino e me apaixonei à primeira vista pelo esporte. Passei a treinar com o masculino e mais ou menos quatro meses depois, com a ajuda de todos, conseguimos meninas e o time feminino foi formado!”, disse Fabíola.

Enfim, um velocista nasce velocista, e um rugbier nasce rugbier. Porém: quando nasce um rugbier velocista, aí é a glória! hehe

Sei que muitas outras meninas poderiam estar ilustrando este post, mas essas quatro brasileiras e a neozelandesa Portia já dão uma ideia do que é unir as duas modalidades.

Minha próxima abordagem será sobre as jogadoras que vieram dos ringues e tatames (lutas). Faça como as calcinhas acima e divida conosco sua história. Envie seu relato para contato@rugbydecalcinha.com.br. Até a próxima!