Rugby de Calcinha

Irmãs? Não! Elas são mãe e filha!

Por Rebeca Spago

A Flávia e a Stephanie são respectivamente, mãe e filha, ambas jogadoras do Jacareí Rugby, time do interior de São Paulo. Jogam juntas há 3 anos e dão o que falar quando estão juntas em campo.

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RdC: Sabemos que na região de São José e cidades vizinhas, o rugby é muito divulgado. Como vocês conheceram o esporte?

Stephanie: Conheci o rugby através dos meus amigos do colégio, Luiz Gustavo Andreoti (Gutão) e o Lucas Drudi. Na época ainda não tinha feminino em  Jacareí. Alguns meses depois eles me contaram que iriam formar uma equipe feminina e precisavam de meninas de todas as idades. Como gosto de esporte fui, minha mãe como sempre estava comigo também foi…. Começamos juntas e estamos jogando até hoje.

RdC: Já são 3 anos de muita convivência. O que vocês acham que mudou na relação entre vocês?

Flávia: Na  minha opinião, não mudou muita coisa, afinal sempre ficamos juntas mesmo! A dedicação ao esporte é grande! E pra cada uma de uma forma é claro.

Stephanie: Eu tenho mais tempo que minha mãe pra poder estar por dentro das jogadas e muitas vezes em campo auxilio ela ou até mesmo nos treinos… às vezes ela vai atender clientes e chega atrasada aos treinos ou nem mesmo consegue chegar a tempo pois está no trabalho e acabo passando algo que ela tenha perdido, confesso… não tenho muita paciência, mas me esforço bem, viu…rs.

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RdC: Como boas rugbiers que são, devem participar dos terceiros tempos depois dos jogos. Como vocês se comportam neste momento de descontração?

Stephanie: Sempre participamos quando possível. Eu particularmente gosto de conversar sobre as jogadas, as que deram certo e principalmente as que não deram pra tentarmos nos ajudar  e colocar em prática na próxima vez. A minha mãe já é chegada em uma cervejinha… (mas isso quando ela consegue ir aos campeonatos pois trabalha aos finais de semana também)…e ela ama fazer novas amizades, sai falando com todo mundo dos outros times e com juízes, aí a amizade e cervejinha pra ela é tudo de bom!

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RdC: Qual conselho vocês dariam para as mães e filhas que desejam jogar juntas?

Stephanie: Acredito que nos dias de hoje a vida é mais corrida tanto para as filhas quanto  para as mães. Hoje a mulher tem uma vida mais atribulada: trabalhos do lar, trabalhos fora, e no caso da minha mãe que é mãe e pai ao mesmo tempo, imagina… loucura total! Isso faz com que o esporte a ajude a estar mais perto de mim e também de cuidar do bem estar dela. Correr, jogar, chutar, fazer amizades, isso a ajuda a minimizar o stress, esquecer os problemas, por pra fora o nervosismo do dia a dia.

Flávia: Pois é, o rugby chegou aí, nos mostrando que é um esporte aberto a todas classes sociais, a todas  as  idades (desde que esteja com a saúde ok), tamanho, peso, cor, pessoas nervosas, alegres, briguentas, amáveis… isso não impede que elas treinem,só auxilia ainda mais (pois aí é trabalhado a disciplina de todos). O legal é ver que até mesmo a pessoa mais importante de uma cidade, se for treinar, vai ter que ler a mesma cartilha! Se for estar junto no time, vai ficar calado na hora que for necessário, ouvir de um companheiro ou técnico palavras boas ou às vezes  difíceis de se ouvir para o bem do time. Vai, sim, ter que  sair do salto e ver que se não ajudar o companheiro do lado, aprender a lutar junto, ele sozinho nunca  conseguirá chegar a lugar algum. E pra mim seria ótimo muitas mães estarem junto de suas filhas. Sei que existem  mães superjovens, fortes, que poderiam estar no campo, mas muitas vezes têm vergonha ou desânimo de irem… ali no campo ela não seria mãe, mas companheira, parceira. Seria igual, não teria barreiras mas uma luta para fazerem juntas. E quando não conseguir mais, aí sim  ela poderia dizer: “fui companheira até onde eu consegui , me diverti, sorri, chorei, fui o que poderia ser, mas não deixei de estar mais tempo com quem sempre precisou de mim!”

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A Flávia e a Stephanie nos responderam juntas e pegaram do fundo do coração a inspiração para levar você a treinar com sua filha.

Anime-se, mamães! Vocês podem ter esta relação de cumplicidade com sua filha, e o rugby vai ajudar para que isso aconteça!

Feliz Dia das Mães!