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Rugby é capa da Istoé: “Prontos para a guerra”

7 de maio de 2013

Capa Istoé 2016 rugby

Por Teresa Raquel Bastos

Há um tempo atrás, fiquei sabendo que o rugby seria capa da Istoé que falaria das Olimpíadas, no encarte “2016”. A primeira reação foi achar o máximo ter ilustrando uma edição sobre os jogos olímpicos um esporte que está voltando à competição após quase um século.

Realmente, levando em conta que o rugby é o segundo esporte coletivo mais praticado do mundo, e o segundo que mais cresce no Brasil (o líder é o MMA), nada mais justo que colocá-lo em primeiro plano.

DADOS DO RUGBY BRASILEIRO
A reportagem reúne em dez páginas diversos dados importantes do cenário nacional: metas, quantidade arrecadada de dinheiro, além de contar a história da transição ABR – CBRu. E alguns pontos fortes vou destacar aqui (mas é superimportante que você leia a reportagem completa, que está bem legal).

A entrevista começa com Sami Arap, presidente da confederação, afirmando que em 2030, o rugby será o segundo esporte mais praticado no Brasil. Tenho minhas dúvidas. Sim, hoje a popularização dele está se alastrando e todo mundo sempre conhece alguém que “joga aquele esporte com a bola oval”. Mas será que somos fortes o suficiente para bater vôlei, basquete e o próprio MMA?

Como o próprio Tanque cita na entrevista, precisamos de mais competições nacionais. E fora do eixo Rio-SP-Sul. Alguns podem duvidar, mas acredito piamente nos talentos do norte-nordeste do país. Mas como está a estrutura da CBRu por lá? Em entrevista ao Sami, uma vez, ele me contou que está tentando essa capilaridade por meio das federações. É um começo, mas não o bastante. Eles utilizam apenas o Nordeste Sevens para dar uma única vaga a um time nordestino vir jogar o Brasil Seven’s. Para um esporte crescer no Brasil, o país inteiro tem que ser contemplado.

Mas calma, concordo também que isso é um avanço e é muito difícil descentralizar. Isso acontece com o futebol, o nosso grande líder em popularidade. Poucos times da região acima do centro do Brasil são fortes o suficiente para brigarem de igual na série A.

FINANÇAS DA CBRu
Paula Ishibashi na IstoéSobre a parte financeira, que no box da reportagem afirma 12 milhões de reais como receita atual da CBRu, tenhamos calma. Ainda no texto, eles falam que entre 2011 e 2012, apenas R$6  milhões tinham sido arrecadados. Na época, foi um avanço, mas no ano de 2013 isso duplicou. Ou seja, ainda não deu tempo de gastar isso tudo (eu acho, né). E nos dois últimos anos, esses 6 milhões foram gastos com viagens internacionais, estruturação, contratação de profissionais e outros trâmites que requerem (muito) dinheiro. Lembrem-se que, mesmo na modalidade de 7’s, não são só sete meninas viajando: há equipe técnica, médica, além das reservas. São passagens compradas em cima da hora, não tem essa de “promoção da TAM”, muito menos apoio dessas empresas.

Leia também: CBRu anuncia salário e casa do rugby após Rio 7’s 2013

Agora, sobre essa quantia de dinheiro, podemos esperar uma maior distribuição desse montante entre as seleções e, quem sabe, sobra um pouco para times menores – e não menos importantes.

AUDIÊNCIA DA BOLA OVAL NA TV BRASILEIRA
Super 10 - Sportv

Outro dado que me encheu de orgulho foi o que fala do aumento em 25% das transmissões do rugby nacional na TV. A SporTV, empresa responsável por isso, deu espaço e colhe os frutos: a audiência média foi maior que a da natação e do atletismo! Agora para e pensa: quem nunca assistiu a esses esportes na TV, zappeando com o controle remoto, e parou para prestar atenção? Sem dúvida, uma divulgação incrível! E esse fruto será colhido daqui um tempo, quando crianças que se depararam com a bola oval na frente da televisão forem começar a buscar treinos (isso aconteceu com o Lucas Abud, que está na seleção de XV atualmente).

Sobre os objetivos da CBRu, como o ambicioso desejo de medalha olímpica daqui três anos, não tenho muitas expectativas disso. Já o ouro nas Olimpíadas de 2030, é bem possível se os passos continuarem largos, mas ainda é difícil. E daqui 17 anos, eles querem 500 mil rugbiers espalhados pelo país. Esse último é o mais provável e conta também como nosso empenho.

SOBRE A MODALIDADE FEMININA
Julia Sardá - Istoé

Especificamente sobre o rugby feminino, a reportagem deixou claro que a CBRu não tem interesses em desenvolver a modalidade XV por enquanto. “Para mudar esse cenário, a Confederação tenta atrair novas atletas para as competições de sevens”, é o que está escrito. nas páginas da Istoé. Sim, é difícil achar mulheres para jogarem rugby (por enquanto), e ainda mais para formar um XV. Também o foco nas Olimpíadas limita a participação brasileira nessa modalidade. É compreensível, mas não motivo de desistirmos do rugby de quinze. Esforços como o Desafio Paulista de Rugby XV Feminino têm sua imensa importância.

Sabendo do nosso enorme potencial e principalmente da nossa realidade feminina no esporte brasileiro, a Istoé deveria ter abordado mais sobre o rugby jogado de calcinha. Nem o orgulhoso 10° lugar no mundial de 2009 foi citado (disseram apenas que hasteamos a bandeira do Brasil na ocasião). O feminino é o que mais se aproxima de grandes resultados mundiais, e achei que foi deixado de lado pela publicação. Fica a dica para próximas reportagens.

E para finalizar, muito legal o depoimento da Júlia Sardá, nossa capitã, que conta que tira do próprio bolso a mensalidade do time. No Desterro, ela continua sendo a Júlia, que sempre treinou junto e ajuda o time a crescer de igual. Também fico muito feliz porque com o Bolsa Atleta da CBRu (veja matéria aqui) ela vai poder se dedicar à seleção.

Sem dúvida, como encerra a própria revista, “o rugby brasileiro tem tudo para sair da lama“.

 

E vocês, o que acharam da reportagem? Dê a sua opinião!

Comentários

  1. […] meses depois, a discussão reacendida pela matéria de capa da “2016″, revista realizada pela Istoé, já existe uma concretização dessa promessa, mas que não pode ser considerada profissional. Em […]