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Seletiva: saiba tudo de como aconteceu, resultados e dicas do Frubee para outra chance

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Por Leca Jentzsch

Vinte e nove meninas saíram de suas casas semana passada. Algumas percorreram longas distâncias, umas de carro como foi o caso das jogadoras de Niterói (que se revezaram na direção), as jogadoras do SPAC que vieram com a família,  outras de ônibus, avião, van  e teve até quem veio de ônibus e voltou de van. Gente que veio de perto, gente que veio de longe.  Todas diferentes umas das outras, começando pelos sotaques, biótipos, cultura e condições de vida. Mais isso já era o esperado, afinal assim é o rugby.

Seletiva rugby feminino

O que todas tinham em comum era a vontade de dar seu melhor, de mostrar seu rugby, e a disposição de aprender mais e mais. Todas fizeram sua cota de sacrifico, levando na mala um sonho!

Seletiva rugby feminino

O inesperado era que ninguém passasse nos testes físicos.

Sei que todas trabalharam duro, mas desta vez não foi o suficiente. O protocolo exigido não foi cumprido na sua totalidade, como informamos na nossa página do Facebook com exclusividade. Os testes eram bastante exigentes, porém não estavam impossíveis. Quem quiser realmente encarar o esporte de alto rendimento tem que ralar muito.

Como preparadora física, acho que isto tem um lado positivo: assim fica claro para todas o que nós, preparadores, sempre sofremos pra explicar. Não é no treino de rugby que se trabalha o físico, no treino você dever usar o físico para aprimorar a técnica.

RELATO DE UMA NEOZELANDEZA
Frubee contou a historia de uma jogadora da Nova Zelândia que também tinha todas as dificuldades (trabalho, estudo, família, etc) e sonhava em jogar na seleção. Foi reprovada na primeira seletiva , mas não desistiu, decidiu realmente encarar de frente o sacrifício, treinar muito, chorar de dor, treinar quando todos estavam se divertindo e abrir mão de muita coisa. Ainda assim, tentou mais três vezes para finalmente passar.  Se ela pode, vocês podem.

Tenho certeza que vou ver algumas das meninas desta seletiva em campo com as tupis, é uma questão de tempo (e muito trabalho). Lembrem se que vocês têm um novo encontro com Frubee, durante o Super Sevens e a Copa Cultura Inglesa. Lá, ele disse que as verá novamente (e desta vez como vocês gostam de ser vistas: jogando rugby).

Além de todo o aprendizado, o bom desta seletiva foi que todas puderam ver e compreender a necessidade de realmente dar tudo de si pelo rugby, e isso não só dentro de campo,  mas principalmente fora dele.  “O que você fala não importa, o que mais importa é o que você realmente faz!” (quem participou da seletiva sabe o que quero dizer).

Resumo dos dois dias de seletiva

Sexta feira (06/04)

As atividades iniciaram as 9:30h, com uma palestra de Frubee, onde as meninas preencheram um questionário, e após isso assistiram palestra, passaram pela balança, e partiram para os testes.

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Ao contrário da quinta feira que choveu a beça,  na sexta o tempo abriu e o calor de SJC mostrou toda sua força. A CBRu cuidou de proporcionar todo o conforto para as jogadoras, oferecendo água, isotônico, e até a famigerada tina de gelo, que no final ninguém questionava o sofrimento devido ao benefício que ela proporcionou. As meninas tiveram o mesmo tratamento que as tupis recebem e isso foi um ponto a se observar, pelo menos da minha parte.

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Os tempos dos tiros de 40 metros foram aferidos por equipamento de alta precisão (fotocélulas). Somente quatro atletas ficaram abaixo do tempo exigido (6.0s, backs 5.8s e pontas 5.6s) . Melhores cronômetros abaixo:

– Rubia  (BH Rugby) – 5.95

– Jessica (SPAC/SP) – 5.94

– Amanda (Desterro/SC) – 5.78

-Claudiana (Dona Maria Rugby/Ceará)  – 5.78

Nos  400 metros, ninguém atingiu o tempo exigido (forwards –  70s, backs e pontas – 65s); os melhores tempos ficaram por conta de:

– Claudiana (Dona Maria Rugby/Ceará) – 72

– Rúbia (BH Rugby) – 72

– Amanda ( Desterro/SC) – 73

– Patricia (Delta UFPI / Piauí) 73

– Manuela (BH Rugby) – 75

A maioria ficou por volta de 76/77 nesta atividade.

O yoyo teste, que na visão da comissão técnica é o teste mais importante, também foi outra decepção. Teve gente que quase chegou lá, mais ainda falta treino pesado para tirarem de letra.

Yoyo testetempo máximo exigido 15.5

–  Jessica (SPAC) – 15.3

– Manuela (BH Rugby)  – 15.2

– Amanda (Desterro/SC) – 15.1

As demais ficaram em torno dos 15/16,( imaginem que o exigido para as NZ é 18). Tenho certeza que não vamos passar os 15.5. Força meninas, vamos quebrar esta marca!

Todas depois dos testes físicos passaram pela “tina”, teve até coreografia pra esquecer o frio!

Tina durante a Seletiva

Após o almoço, as meninas foram reunidas em sala novamente para mais uma palestra e uma dinâmica de grupo, e  depois partiram para a prática no campo. Nesta primeira fase, o grupo foi dividido em duas partes e adivinhem: de duas em duas foi decidido no par ou impar quem usaria a camisa das tupis pra diferenciar os grupos. Foi emocionante ver a reação de algumas ao vestirem o uniforme, afinal ele está em jogo e é muito desejado por tudo que representa.

 Seletiva rugby feminino

Foram feitos exercícios de passes e recepção. Eu particularmente achei que poderia ter sido melhor por parte das atletas, notei uma defasagem de técnica entre algumas, o que fazia com que todas tivessem dificuldades, pois passar uma bola que se recebe toda torta e fora da altura não é uma tarefa fácil, mesmo para as mais ágeis. Algumas estavam nervosas (o que pode ter atrapalhado o rendimento), mas a comissão estava de olho em tudo.  “Um bom passe é aquele que tem a mesma precisão, com ou sem pressão”.

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Sábado (07/94)

Inicou 8:30h em ponto. Frubee iniciou com uma pergunta.

“Qual é seu papel no time? Você está preparada para dar o seu melhor?”

E seguiu falando sobre intensidade, sobre a importância da intensidade no jogo. Dizendo que todas têm que estar física e mentalmente preparadas, na visão dele, “intensidade é esperar o inesperado e saber lidar com isso“.

“Toda vez que você jogar, algo sempre vai sair errado, como na vida. E você terá que agir com intensidade resolvendo rapidamente. Isso é o que fazem os grandes atletas, isso é o que caracteriza  os grandes times”, ensinou. Para ele, tem que esperar o inesperado, pois sempre algo vai sair errado e é nessa situação que deve haver a habilidade individual e em grupo para “limpar” o ocorrido.

DSC05171  DSC05140 Orientações na Seletiva

Após isso, Frubee fez uma observação que eu também já havia percebido.

Nenhuma das meninas estava com papel e caneta anotando as orientações, e deu o seguinte conselho:

Aprendam a anotar!

Façam um caderno de rugby. Comunicação é muito importante e ela começa pela anotação (se eu não tivesse anotado tudo possivelmente esqueceria mais da metade do que está aqui, e foram informações preciosas). Fica a dica!

Após isto, houve uma atividade prática (na sala mesmo), sobre a importância da comunicação, que passa por: ver, falar e reagir. A visão foi o ponto principal da prática, levando as meninas a notarem a importância de ver  tudo de uma forma mais global para poder se conectar  com o time; a comunicação começa pela visão, e bons times se comunicam mesmo sob pressão. É assim que a comunicação do time faz a diferença.

Aprendam a se conectar!

“A conexão é uma força invisível. É o segredo de todos os times bons!”, cravou Frubee.

Encerrou a palestra dizendo: “Rugby é um jogo simples, as pessoas o fazem ser complicado. FAÇA-O SER SIMPLES!”

Após isso as meninas foram para a prática ,tackles, movimentação de ataque e defesa, e finalizaram dividindo o grupo em três equipes para um jogo de touch. Algumas meninas saíram frustradas pois queriam um jogo com scrum, line e tudo mais. Mesmo sendo touch, às vezes na empolgação saia um tackle ou outro! rs

DSC05209DSC05164Seletiva rugby feminino

SALDO PÓS-SELETIVA
Conversando com algumas atletas percebi que muitas, além do sonho de jogarem junto a seleção, querem é jogar rugby da melhor maneira possível! E por isso se sacrificaram: meninas que emprestaram dinheiro, que racharam o combustível, venderam rifa, fizeram jantares, e outras peripécias, só pelo prazer de fazer parte, e de correr atrás de um sonho.

Apesar de muitas meninas terem saído com gostinho de quero mais, achei bem válida toda a experiência.

O negócio agora é correr atrás do sonho. Treinem muito, lutem. Vai doer, vocês vão chorar, mas isso é fichinha perto da glória de vestir o manto da Seleção!

Mandem pra gente as suas histórias: aqui foi somente a minha visão de quem estava fora dos testes. Escreva para a gente a sua experiência na seletiva, pois seja qual for, tenho certeza que servirá de crescimento para todas. Lembrem-se do que foi dito no final pelo Frubee: “A seleção atual treina muito, joga muito, mas precisa de renovação, e vocês são a esperança!” . Lembrem também do desafio lançado.

Obrigada pelo carinho de todas ao RdC, vocês têm todo nosso respeito e torcida.  Nos vemos pelos campos!

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Veja nossa galeria de fotos dos dois dias de Seletiva:
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Comentários

  1. […] não podemos deixar de nos orgulhar de ver times nascendo, dos campeonatos sendo organizados, das seletivas das nossas meninas para a seleção brasileira, do reconhecimento em geral. Parece mesmo uma utopia, no entanto não podemos deixar que os valores […]