Rugby de Calcinha

Paula Ishibashi: orgulho nacional e a única a jogar todos os Sulas

Paula Ishibashi com a seleção
Por Rebeca Spago

Yes! Nós temos a Paulinha! Entrevistamos a Paula Ishibashi, eleita melhor jogadora de rugby por anos seguidos, vencedora na categoria de melhor atleta de 2012 pelo COB, e reconhecida internacionalmente ao ser “convocada” para integrar o “Dream Team” do rugby feminino mundial.

Ela foi a única atleta a participar de todas as nove edições do Sul-americano de Rugby 7’s vestindo a camisa da Seleção Brasileira até hoje e deixou palavras lindas e incentivadoras pra futuras jogadoras e admiradores. A entrevistamos para saber um pouco mais desse feito histórico.

Paula Ishibashi - Rugby Feminino

Rugby de Calcinha: Nesses nove anos, o que você sentiu com a evolução do Brasil e dos times que participam deste Torneio?

Paula: A evolução eu pude sentir sim ao longo desses anos. Acredito que assim como nós, as outras equipes femininas na América do Sul também buscam o melhor desempenho possível, mas sei que a realidade do rugby feminino nos outros países também enfrentam dificuldades para o seu desenvolvimento.

Eu senti a evolução das equipes, principalmente da Argentina, que está buscando um trabalho focado no alto rendimento assim como nós, e isso tudo é muito normal. Quem quer evoluir, vai atrás disso e é normal que quando enfrentamos essas equipes que estão buscando a excelência como nós, os jogos sejam mais acirrados. Não consigo entender o porquê de algumas pessoas tratarem isso como uma “ameaça” ao rugby brasileiro feminino.

Eu acho que cada vez mais os jogos serão mais acirrados, vamos enfrentar as dificuldades do jogo como em qualquer partida. No seven, vence quem erra menos. É um jogo fatal. Não tem tempo para muito erros, é necessário corrigi-los e transformá-los em tries muito mais vezes que a outra equipe para ganhar a partida.

RdC: Qual sul-americano você considerou o mais especial?

Paula: Todos os sul-americanos possuem uma história especial. Cada um deles teve o seu momento, a sua dificuldade, algo que nos marcou para sempre. Eu não tenho uma memória muito boa! rs…

Lembro de todos, mas não em detalhes. Tem coisas que eu nem lembro mais! rs… ainda bem que as outras meninas lembram.. Mas eu guardo comigo cada lembrança que ainda tenho de todos esses Sulas, e não tem como escolher o melhor de todos! Mas com certeza, o primeiro, foi o grande passo para todos os demais. Esse determinou o nosso destino e onde queríamos chegar… e estamos na luta por tudo acreditamos desde 2004.

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RdC: E o mais difícil?

Paula: Não tenho o mais difícil, pois todos eles exigiram 100% da nossa capacidade, mas o mais difícil mesmo eram as condições que tínhamos para treinar em alguns Sulas. Quando jogamos em Viña Del Mar, acho que treinamos uma semana e fomos jogar. Ou seja, nos concentramos somente uma semana dos 365 dias do ano para jogar um Sul-americano! Hoje as coisas são diferentes, mas naquele tempo, tivemos que enfrentar esse tipo de situação…

RdC: Você tinha amigas do SPAC jogando com você e quais outros nomes foram grandes companheiras?

Paula: As companheiras são muitas! Todas elas ganharam um espaço em nossos corações. Cada uma deixou sua marca na seleção. A Natasha Olsen merecia um prêmio nacional por uma das maiores incentivadoras do rugby feminino, que lutou muito por nós (não só o SPAC como o rugby feminino num todo), possui um espírito de rugby incrível, sempre se doou aos grupos que pertenceu/pertence e ensinou que nunca devemos desistir e deixar nenhuma companheira para trás. Sempre pensando em todas.

Além dela, com certeza a Mika, do Desterro, também tem sua presença muito forte no rugby feminino, com sua inteligência de jogo, cheio de “ginga” e um modo de lidar com as pessoas de forma muito delicada, sincera e amiga.

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RdC: Você pensa em se aposentar logo, ou ainda acha que consegue lutar por mais alguns anos? Porque, afinal, você é conhecida internacionalmente!

Então, não estou pensando em me aposentar, nem tenho data marcada para isso. Logo agora que tantas coisas começaram a acontecer, seria um desperdício eu pensar nessa possibilidade, ao invés de aproveitar todo esse momento, onde teremos a chance de alcançar um modo diferente de viver rugby, muito mais intenso.

Ainda bem, certo? Uma grande campeã não é só aquela que ganha prêmios, ou vence jogos. A Paulinha mostra que insistir no sonho é realmente a chave para o sucesso. A certeza de ver nossas Tupis nas Olimpíadas é o maior sonho de todos os fãs do esporte, e com certeza veremos a Paulinha lá! Sucesso sempre! Nós do Rugby de Calcinha somos fãs!

Veja as fotos da Paulinha no rugby (Fotos: Acervo pessoal)