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As paranóias de ousar treinar Rugby na Índia

Mais uma aventura da mochileira Rafaela Kelly (Kel), jogadora do Recife Rugby Club que já contou para nós como foi treinar nos Estados Unidos. Agora Kel foi mais longe…Índia!

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Namaste meus amigos amantes do Rugby…

Depois de uma experiência inusitada de jogar Rugby na terra do Futebol Americano…agora vou prosear um pouco sobre o Rugby Indiano. Sim Sim Sim, Rugby na Índia – e que as vacas nos protejam!

Veja aqui: Rugby na Terra do Tio Sam

Alguns de vocês podem até se surpreender, mas de fato Rugby é um grande esporte na Índia e está em constante crescimento. Um, porque a Índia foi por muito tempo colônia da Inglaterra – e assim assimilou muita cultura de lá – e outra porque há muitos estrangeiros morando no país e acabam criando times por saudade do esporte. Assim, a maioria das grandes cidades tem ao menos um time (masculino e feminino) – E, acreditem em mim – Gente não falta pra treinar – PENSE!!! Isso que dá país superpopuloso.

Delhi Hurricanes - Meu time

Delhi Hurricane Rugby Football Club foi formado em 2004. Já formou 11 jogares que defendem a equipe nacional (no adulto) e tem praticamente todo o time juvenil representando o país. E o clube nunca está satisfeito – sempre treinando e buscando talento em seus jogadores. Kuldeep, o técnico, é o nome da pessoa que faz esse time brilhar. Ele já foi jogador profissional do Time indiano e se aposentou em 2003. Logo depois abriu o clube.

Seus contatos internacionais trazem jogadores de todo o mundo para dar treinos em seu clube. Quando eu estava lá tive a chance de treinar com um jogador oficial do time Francês (não me pergunte qual porque não lembro). Sem nenhum auxílio público ou empresarial o time sobrevive de seus jogadores que pagam mensalidades semestrais (o clube é próprio – os próprios jogadores se revesam para cuidar da grama e afins), há bolas suficientes, material de tackle e equipamentos de treino físico.

Por que fiz questão de dizer isso? Porque percebi que mesmo com a pobreza absoluta dos jogadores e da falta de auxílio (patrocínio) o clube É um clube… graças a união de todos os interessados na prática esportiva. E desde aí eu pude perceber um dos valores do rugby sendo bem trabalhado – A união.

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Agora a melhor parte – Tan Dan Dan Dan…

MaKiNg Off – as paranóias de ousar treinar

O treino inicia as 6:00 am nos Sábados e Domingos. Nem reclame que isso é cedo – Essa era a única hora do dia que era humanamente possível treinar uma vez que a temperatura chegava a 40 graus por volta das 7:30 am – 53 graus por volta das 10:00 am e lá pelas 10:00 da noite que começava a esfriar um pouco chegando a uns 35 graus. Vamos dizer que eu suei a camisa – LITERALMENTE.

Bem, todo mundo em campo – na hora certa – alguns até chegam antes pra aproveitar pra treinar chute ou passe… todos se cumprimentam (Namaste pra cá, Namaste pra lá balançando a cabeça de um lado pro outro) e começamos a aquecer.

Ahhh…esqueci de um pequeno detalhe – Eu NÃO falo Hindi e eles, a maioria, não falavam inglês. Do feminino apenas uma falava inglês (e ela era do Iran) – e graças a essa criatura eu consegui saber a hora de correr, parar, voltar, etc… a única coisa que eu dizia que ela não precisava me traduzir eram os sermões do técnico kkkkk. Que, a propósito, demandava ser chamado de Senhor (Sir). Somente ele falava e gritava muito – deixa eu me expressar melhor – gritava muiiiiiiiiiiito. Não havia democracia – e o machismo era inquestionável. Eu era a única que o chamava pelo nome e fazia perguntas quando deveria ficar calada – mas ele relevou porque eu era gringa e brasileira lol

Outra coisa que eu pude notar – e que é bastante interessante é que há treinos misturados – meninos e meninas. Pode soar normal pra nós, mas na Índia, não é permitido um contato próximo entre homens e mulheres. Muito dificilmente haverá amizade entre opostos, isso porque eles não querem facilitar o despertar de qualquer tipo sentimental. No lado mais extremo da coisa, é PROIBIDO beijar em público. Mas no campo, homens e mulheres estavam lá normalmente treinando juntos – e pelo que percebi, os homens não estavam se aproveitando da oportunidade de estarem tocando nas meninas.

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Detalhes a parte – Essa experiência de treinar na Índia foi algo que me fez admirar ainda mais o Rugby – por que, independente da língua falada em campo ( o que não fez muita diferença porque o esporte é o mesmo), da cultura do país que adota o esporte … Rugby É Rugby e ponto.

Por fim, eu fiquei por 1 mês como visitante no time. Nesse tempo criamos uma jogada especial e pediram que eu a nomeasse (em minha homenagem) daí eu coloquei o nome da jogada de Boa (kkkkk)… fui convidada a jogar com a equipe um campeonato regional que ia ocorrer nos Himalaias mas eu tive de viajar pro meu mochilão. Pena. Ganhei uma camisa, bons amigos e muita história pra contar.

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Conheça mais as histórias da Kel no blog www.culturadospovosrk.blogspot.com.br Lá tem muitas histórias legais sobre os países que ela visitou.

Se você quer contar um pouquinho da sua experiência, basta enviar a sua história e fotos para contato@rugbydecalcinha.com.br ou através do nosso site na seção Você quem Manda