Rugby na terra do Tio Sam

14 de março de 2013


Há alguns dias contamos a história de Mahyara, jogadora do Recife Rugby Club, que viajou para a França e teve a oportunidade de conhecer o ídolo Sébastien Chabal.

Veja aqui: A rugbier brasileira que conheceu o Chabal

Hoje vamos contar a história de Rafaella Kelly, outra pernambucana arretada que ama viajar pelo mundo e conhecer novas culturas. Na próxima semana mais uma aventura dela será contada para vocês.

A Kel fez intercâmbio nos Estados Unidos em 2010 e, como uma boa jogadora de rugby, não poderia deixar de procurar um clube para treinar. O texto, publicado anteriormente no nosso blog antigo, é de 2010, quando ela ainda estava na terra do “Tio Sam”, portanto pequenas coisas podem ter mudado, mas mesmo assim vale a pena ler sobre a sua experiência com o rugby longe da sua terrinha.

 

O que os americanos pensam do rugby?

Por Rafaella Kelly

Essa é uma pergunta bastante intrigante uma vez que estamos falando de uma nação onde o exercício esportivo vem em primeiro lugar em qualquer estação do ano.

Bem, ao meu ver, o rugby parece ser um esporte de “estrangeiro” por aqui, assim como é o Karate, o ping pong e tantos outros que não “nasceram” aqui. Entretanto, de acordo com USA rugby (responsável pelo desenvolvimento do rugby nos EUA) :

  • O esporte vem crescendo 15% anualmente, principalmente entre os jovens;*
  • O número de times escolares registrados no USA rugby passa de 500.*
*dados de 2010

Ainda assim o esporte não consegue lotar estádios ou gerar notícia assim como os populares esportes americanos como NFL, MLB e NBA. Muita gente (leigos) vê o rugby como uma cópia grotesca do futebol americano, com frases dos tipo “Você viu aquilo, bárbaros!”. Cheguei a perguntar a um jogador de futebol americano se ele já tinha pensado em jogar rugby algum dia e a resposta foi: ” Eu sou muito bonito pra jogar rugby”.

Será que o rugby pode ganhar seu lugar na terra do tio Sam? Sim, e pra isso só é necessário um bom trabalho de marketing e esclarecimento das vantagens do esporte. Para aqueles que nunca assistiram um jogo de futebol americano, trata-se de um para-comercial-jogo-para-comercial. O jogo é parado a cada momento que há contato e dura em media 3 horas para acabar. Totalmente contrário, o rugby vem com a ideia de continuidade, um tackle não significa que o jogo deve ser parado, tornando o jogo muito mais atrativo.

Nestes 9 meses que de moradia aqui no US, venho praticando rugby, nos últimos 6 meses, com um time de seniors – pessoas que nao tem nenhuma ligação com escola e/ou faculdade e que por isso não teriam como praticar o esporte uma vez que somente estes lugares oferecem a pratica esportiva. O time chama Exiles e defende o estado de Maryland, onde moro.

Uma coisa que aprendi morando aqui nos EUA é que as estações do ano influenciam tudo e assim também o rugby. No inverno não tem treino (nem tem como com tanta neve), pela primavera começam os primeiros encontros e no verão vem o primeiro campeonato de 7s. No outono começamos a treinar 15 para o campeonato no fim desta estação.

O treino não é diferente do meu time do coração, o Recife Rugby Club. Afinal, rugby é uma coisa só. O que notei de diferente e MUITO diferente é a noção de liberdade americana que habita também a prática esportiva. Todos interferem no que diz respeito a jogada, treino, jogos, dinheiro ou encontros. Já presenciei, o que eu acho falta de respeito, muitas garotas interferirem o técnico falar ou ate renegar/modificar uma ordem de treino – mas isso é questão de cultura.

Bem, tivemos nosso último jogo no sábado passado e com isso o rugby 2010 seria encerrado. Porém, uma pernambucana no time se aproveitou da liberdade proporcionada e parece tá mudando um pouco a rotina. O time concordou em continuar treinando até o limite – as tempestades de neve-, na modalidade 7s, seguindo o modelo do RRC :]

Se você quer contar um pouquinho da sua experiência, basta enviar a sua história e fotos para contato@rugbydecalcinha.com.br ou através do nosso site na seção Você quem Manda