Nós somos o melhor do rugby

8 de março de 2013

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Por Teresa Raquel Bastos

Tem uma frase que me causa extremo incômodo no mundo do rugby. Uma vez ouvi a piadinha que dizia “no rugby feminino não há nem rugby, nem feminino”.

Caros machos, atentai bem! Tamanha blasfêmia numa frase tão curta!

Nós, mulheres do rugby, jogamos muito. Suamos, comemos terra e grama, assim como vocês. Nossos tackles doem. Nossas travas da chuteira machucam o campo (e até as adversárias às vezes – sem querer). Nossos chutes entram no H. Limpamos os rucks. Nós fazemos tries.

Fazemos tries. Muitos. Dentro e fora do campo. Para vocês, queridos machos, é muito fácil arrotar, bater na mesa e dizer: eu jogo rugby. Todos vão olhar seus músculos (ou sua barriga de chopp caso seja um forward) e aceitar facilmente essa ideia de jogar o tal “esporte violento”.

Já a gente tem que aguentar as caras assustadas das pessoas, a implicância recorrente de nossos familiares por verem a princesinha tacklear e ser tackleada. “Mas você, tão magrinha assim, joga isso?”. Quem de nós, rugbiers, nunca ouviu isso? Aí é nosso dever explicar de onde vem nossa força, nosso amor pela bola oval. Não importa se é a magricela que corre muito ou a gostosa (gordinha é o cacete!) que tá botando força no scrum. O rugby acolhe todas nós.

Ainda é muito difícil ser mulher no mundo de rugby, mas pelo menos aqui no Brasil é uma delícia. Nossa seleção é campeã NOVE vezes do continente sul-americano. Temos um excelente crescimento da modalidade, com novas praticantes. E fazemos isso de scrumcap rosa, unha pintada, trancinha no cabelo. Ou seja, por trás dos nossos músculos e caras de mau, somos mulheres extremamente femininas!

Por isso, caro rugbier de cueca, antes de ousar dizer o contrário sobre nossas calcinhas, lembre da qualidade do nosso rugby nacional. E, principalmente, que a gente consegue jogar bem mesmo com todas as cólicas, TPMs e outras características que só nós, mulheres, temos.

Feliz Dia Internacional da Mulher, gente!