Rugby de Calcinha

Dia internacional da Mulher: homenagem do Cueca às Calcinhas

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Por Guto Senra
Colunista da Rugby Mania, jogador do Guanabara Rugby FC e agora faz parte do varal do Rugby de Calcinha colaborando com a seção Rugby de Cueca.

Há pouco tempo atrás fui convidado para ser um dos primeiros a escrever num site que aborda um dos esportes que mais gosto e pratico. A parte mais interessante desta curta e promissora experiência foi prestar mais atenção a um outro lado do campo. Algumas grandes amigas são torcedoras ou jogadoras mas eu nunca havia visto tanta gente empenhada em promover clubes e seleções femininas com tanta vontade. Não é uma questão de brigar no mesmo espaço que os homens, mesmo porque já foi provado em campo que muitas equipes femininas são até superiores e mais promissoras que os times masculinos que carregam a mesma camisa. Os motivos porque isto acontece não vêm ao caso agora.

Então eu aceitei a proposta e aqui estou tentando escrever um texto sobre um dia que é muito importante para todas as mulheres do mundo. Não vejo outra forma de prestar uma homenagem a este dia sem contar brevemente da minha experiência pessoal como torcedor, jogador e agora um tipo de repórter do assunto.

– Deixa eu ver se entendi. Fim de semana passado teve torneio o fim de semana inteiro e você resolveu voltar a treinar neste sábado, é isso mesmo?
– Eu resolvi que ia voltar a treinar faz muito tempo, o torneio foi só para me animar ainda mais.
– E quando é que a gente vai ter um fim de semana em família?
– Domingo. Domingo não tem treino nem jogo na televisão.
– A gente tinha planos pro sábado, lembra?
– Os planos continuam de pé, só vou me ausentar durante o horário do treino de casa. Deixa que eu toco o almoço que depois do treino eu volto e podemos sair mais tarde.
– Não vai me chegar bêbado depois do treino!
– Querida, este tempo já passou. A equipe é outra e a farra acabou. Cerveja só quando tiver terceiro tempo.
– E você já tá pensando nisso, claro.
– Estou. Porque antes do terceiro tempo eu vou jogar com meus amigos e gente que pensa que a partida é mais importante que qualquer coisa e tem mais…
– O quê?
– Eu quero que você respeite minha decisão de voltar a jogar. E quero você do meu lado, fora do campo e depois da partida.
– E o resto? Casa, programa de gastronomia, trabalho e tudo mais?
– Tudo ao seu tempo, mas nada vai ficar em segundo plano, principalmente para você.
– Por que?
– Porque parte dessa coisa de eu com meus trinta e cinco anos resolver voltar a jogar não é só pelo esporte. É porque eu quero me tornar alguém melhor. Alguém melhor para mim, alguém melhor para você. Eu te amo, e isto está na minha lista de prioridades, em primeiro lugar.
– Só quero ver…

Hoje ela entende que minhas escolhas são todas justificadas. Não é nem um pouco egoísta este sentimento. Digamos que quando eu ainda era titular e o time ainda brigava para conquistar seu espaço em meio aos times mais tradicionais da nossa região eu consegui transferir o meu amor ao esporte para ela. Assistimos aos jogos juntos, ela torce por algumas seleções e curte alguns jogadores.

Eu por minha vez tento prestar homenagem e respeito às coisas que ela gosta também, diariamente e não só no dia de hoje. Mas como o dia 8 de março tem seu destaque não deixaria passar desapercebido que no final, nós, todos os homens só fazemos o que queremos para nos tornarmos pessoas melhores e agradar todas as mulheres que amamos.

Feliz dia internacional da mulher, a você, mulher, jogadora, amante do esporte e claro, especialmente para minhas novas amigas do Rugby de Calcinha que receberam este velho e pançudo jogador de braços abertos. Parabéns meninas!