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A lapidação de diamantes começa nos projetos sociais do rugby

Edna Santini (Foto: Fotojump)Por Wanda Jentzsch (Leca)

O rugby é um esporte que traz muito pra quem pratica. Só quem joga ou já jogou entende a loucura de dar tudo de si pra defender um grupo. Este espírito rugbier transcende os campos. Pessoas envolvidas com o esporte encontram uma maneira de retribuir tudo que aprenderam e viveram dentro e fora de campo.

Desta iniciativa de gratidão e retribuição social nasceram vários projetos sociais, hoje reconhecidos nacionalmente e que levam a bola oval à comunidade de forma ética e responsável.

Muitas das crianças que passaram por projetos sociais estão tendo oportunidade no esporte. Prova disto foi o resultado da Copa Cultura Inglesa, onde algumas equipes tinham em seu plantel atletas vindas dessas iniciativas. A final feminina entre Curitiba Rugby x Leões de Paraisópolis foi um belo exemplo.

O time de Curitiba tem como base atletas do Projeto Vivendo o Rugby, e Leões de Paraisópolis, meninas vindas do Instituto Rugby Para Todos, que foi premiado com o Troféu Brasil Rugby este ano na categoria de melhor projeto social.

Alguns dos destaque de projetos

BIA

Maria Vitoria – VOR / Camila – VOR / Bia –  IRPT

Leila / IRPTCleice / SJCMARIANINHA / SANJA

Leila – IRPT / Cleice – SJC / Mariana – SJC

Prova que ações como essa contribuem na formação de futuras atletas é a integrante da Seleção Brasileira Edna Santini, que teve sua trajetória iniciada em um projeto social do São José Rugby.

EDNA1

Conheça a trajetória da Edninha, “musa inspiradora” para muitas meninas dos projetos sociais!

Rugby de Calcinha: Como o rugby surgiu na sua vida?

Edna: Eu moro em frente de um dos locais de treino aqui em São José, e sempre via uma galera treinando um esporte diferente. Nesse local onde jogavam eu costumava brincar com as outras crianças do bairro, a maioria meninos. Vivia jogando futebol com eles. Quando o São José começou o projeto convidaram meus amigos para treinar e de momento só fiquei olhando. Um dia vendo, as brincadeiras que faziam com a bola de rugby no treino, quis brincar também e pedi para um dos meus amigos perguntar se eu podia participar. O treinador deles me mandou para o treino das meninas. Fiz meu primeiro treino nesse mesmo dia. Na época eu era pequena, magrinha, tinha 10 anos. As meninas que jogavam e eram grandes e fortes e bem mais velhas. Era uma geração muito boa do São José, porém eu queria mesmo era brincar me divertir como meus amigos estavam se divertindo e então não curti muito no começo. O treino delas era especifico para o rugby, com jogadas, padrões, etc. , e eu nem passar a bola sabia ainda. Fiquei uma semana sem ir para o treino, pois não havia gostado muito. Quando voltei pedi para treinar com os meninos, com as crianças e deixaram. Aí eu comecei a conhecer, aprender e amar o rugby.

RdC: Quanto tempo levou pra você passar de aulas do projeto para os treinos com o time?

Edna: Quando fui treinar com os meninos, além das brincadeiras, comecei a aprender a jogar rugby e as regras. Meu primeiro joguinho de rugby foi em um mini-torneio que o São José fazia nos centros de treinamentos que tinha nos bairros. Chamava Circuito Interno. Meu primeiro torneio foi o Leopardo Guerreiro, tradicional torneio de categorias de base que o São José realizava. Joguei com meninos até os 14 anos e as pessoas ficavam admiradas quando me viam jogando entre eles, jogando de igual para igual. Quando o São José montou um novo time feminino, me convidaram para jogar com elas, pois mesmo sendo nova e pequena mostrava condições e conhecimento para jogar campeonatos.

RdC: Quais foram as principais dificuldades?

Edna: Dificuldades veiram quando os torneios ficaram mais importantes e fortes. Em relação a família, nunca me proibiram de treinar nem jogar. Sempre fui viajar com galera do rugby mesmo sendo só eu de menina. Com relação a condições financeiras, eu não tinha dinheiro na época para bancar viagens, uniformes, etc… Porém era bolsista no São José e não precisa pagar nada.

RdC: Quais foram às transformações que o rugby proporcionou para sua vida?

Edna: O esporte me ensinou muitos valores, trouxe muitos amigos, me tornou uma pessoa independente, pois tinha que viajar sozinha. Me ensinou a ser humilde e ajudar quem precisa, a ouvir quem tem razão e acreditar nos sonhos. Fiz muitos irmãos no rugby, amo muito cada um dos caipiras que me ajudaram a chegar onde cheguei. Fisicamente me fez ficar mais forte e ajudou me tornar uma verdadeira atleta. O rugby é um esporte que abraça todas as características físicas e isso é muito bom.

RdC: Alguma vez já pensou em desistir?

Edna: Sim, acredito que muitas pessoas já pensaram em desistir de alguma coisa. Aquele pensamento “por que eu to fazendo isso, me matando aqui?”. Mas o amor pelo rugby e pelas pessoas que já faziam parte da minha vida era maior e eu nunca desisti.

RdC: Qual seu percurso na seleção?

Edna: Entrei em 2008 no grupo e treinei por 3 anos e meio sem jogar, no final de 2011 tive minha primeira convocação para jogar o Dubai Sevens. Depois fui convocada para jogar em Las vegas, Sul-americano, Hong Kong, Nova Zelandia e Dubai em 2012. Esse ano, Houston e Sul-americano no Rio de Janeiro.

RdC: Qual foi a sensação com a convocação?

Edna: A sensação é muito boa mais também de muita responsabilidade ser convocada pela primeira vez e pra ir jogar um torneio mega importante onde só tem as mehores do mundo. No mesmo momento que o medo batia, vinha a alegria e o prazer de está la representando o Brasil, realizando um sonho enorme. E isso me dava forças para entrar e simplesmente jogar.

RdC: Algum conselho para as meninas que estão trilhando o mesmo caminho que você?

Edna: Primeiramente, saber se é realmente o que querem. Temos que fazer aquilo que faz o nosso coração vibrar. Se tiverem um sonho, acreditem e busquem com garra. Treinem e se de dediquem o máximo!

RdC: Agora pra descontrair, umas perguntas rápidas

Cor preferida de calcinha? Não tenho uma preferida, mas gosto de preta

Tem alguma calcinha da sorte? Não! (risos)

Preocupação na escolha da calcinha pra jogo? Gosto da que me deixa confortável, não tenho muita preocupação. Imagina a calcinha ficar enterrando na hora do jogo? (risos)

Melhor terceiro tempo: Las Vegas 2012

RdC: Obrigada pela atenção e carinho que nos atendeu, Edna! Te desejamos muito sucesso e um futuro brilhante!

Edna: Valeu! Obrigada pelo carinho!