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Entrevista com Nacho, treinador do São José Feminino

10 de fevereiro de 2013

Nacho com a bandeira brasileira

Por Ana Diva

NACHO:

IDADE: 48 ANOS
NACIONALIDADE: ARGENTINO
NATURAL DE: CÓRDOBA
MEDICA: ESPECIALIDADE TERAPIA INTENSIVA,,MEDICINA DO ESPORTE E NUTRICAO ESPORTIVA
CLUBE: SÃO JOSE RUGBY

Rugby de Calcinha: Quantos anos de Rugby?
Nacho: Desde os 13 anos de idade até hoje em dia que estou ligado ao rugby. Dá uns 35 anos!

O que te trouxe para o Brasil?
Sempre tive um sonho que era viver no Brasil, sou um fanático do pais, adoro a cultura brasileira e sobre tudo as pessoas, mas nunca tinha condições pra vir morar, ate que um dia saiu a oportunidade de trabalhar no rugby. Foi ai que decidi deixar todo o que tinha na Argentina e me embarquei atrás de meu sonho.

Qual foi a sua primeira impressão do rugby brasileiro?
A maneira de viver o Rugby aqui é bem diferente da Argentina, mas a paixão é a mesma. Na Argentina existe a vida de clube que nos praticamente moramos dentro deles, levamos nossas famílias para dentro do clube e nosso desejo maior é jogar na 1 categoria do nosso clube. Se alguém perguntar pra qualquer jogador do clube. Qual é o objetivo dele?. Ele sempre responde “Jogar na Primeira de meu clube”.

O que você acha que esta faltando para o rugby no Brasil melhorar?
Acho que o Brasil teve um momento onde o principal era jogar, e isso fez que os jogadores só se focassem em jogar,. A consequência disso, foi a falta de pessoas no resto da estrutura do rugby. Ou seja, a falta de dirigentes, falta de árbitros, falta de treinadores, falta de categorias de base e falta de torneios. Hoje tudo isso esta mudando de maneira vertiginosa.

Qual foi o primeiro desafio, quais as maiores limitações e pontos a serem trabalhados na sua chegada ao São José?
Pra mim o desafio era total, cheguei em 2010, com muita expectativa em um clube que era 5 vezes campeão brasileiro e referencia nacional. E que no ano anterior (2009) tinha perdido o campeonato brasileiro, ou seja, poucas chances de falhar. Mas, como gosto muito de desafios, encarei direto! O primeiro que pedi foi um preparador físico, aumentei um dia a mais nos treino e também pedi que respeitassem os horários de treino. Esclareci que EU SOU UMA PESSOA QUE NUNCA CRITICA OS ÁRBITROS então comigo o jogador não tem chance de faltar respeito com os árbitros. Pra mim jogador que toma amarela em jogo não volta a campo, é automaticamente substituído. Mesmo seja o capitão ou um jogador importante. Nos times que eu treino não existem estrelas. A única estrela é o grupo humano.

O que você achou quando chegou aqui e se deparou com o rugby feminino?
Me surpreendi pela coragem das mulheres e sobre tudo a dedicação delas, realmente são especiais. A mulher sente o rugby de uma maneira incrível, elas são um trator trabalhando, treinando e fazendo acontecer!

No ano passado, você assumiu um grande desafio: treinar as meninas do São José! Muitas pessoas dizem que é extremamente difícil treinar mulheres. Você estranhou muito?
Eu tinha experiência no feminino nem no seven, posso dizer que foi um esporte novo para mim. No começo meu jeito era o mesmo, treinava as meninas da mesma fora que treinava os homens. “Credo”!!! Elas me colocaram rapidinho no lugar… total decepção, me senti até frustrado. Ai pedi ajuda, conversei com outros treinadores do feminino de outros clubes, também com os treinadores da seleção que me permitiram participar e observar os treinos da seleção. A experiência deles me ajudou muito com o feminino. Então recomeçar tudo de novo… A mulher não é difícil! Porem, nos os homens do Rugby queremos que elas ajam como nós e é ai que está o maior problema.! Eu Aprendi a respeitar a mulher, o que também me serve na minha vida.

Quais as maiores diferenças em treinar homens e mulheres?
A mulher é muito mais empenhada que o homem, ela tem que vencer muitas barreiras pra jogar! Desde os preconceitos, família, contato físico, estética, a mulher posterga um monte de coisas. Entre elas a maternidade! Elas tem que se adaptar a um esporte onde o contato físico faz parte do seu dia a dia. Enfim, eu escuto elas quando tem que ir para uma festa como tentam disfarçar os roxos…  Acho a mulher RUGBIERA uma batalhadora!

A evolução das meninas do são José no decorrer do Circuito Brasileiro de sevens foi notável. O que você considera o ponto alto desta evolução?
O circuito chegou no momento justo, estávamos jogando o Paulista e meio que a maioria dos times de São Paulo, estavam enjoados de jogar entre eles, percebia que sempre era o mesmo para nós. Tentar ganhar do Bande e não tomar muitos pontos do Spac. E isso não leva a lado nenhum.
O Circuito Brasileiro deu um ar em todas as equipes, até o Paulista foi cancelado na terceira etapa. A empolgação foi total,,,rss
Isso nos levou a fazer um planejamento novo. Incorporamos um psicólogo esportivo que trabalha com todas 1 vez por semana, procuramos um treinador de atletismo, acrescentamos a analise de vídeo. Hoje quando acaba o jogo, já vamos e assistimos ao jogo no vestiário mesmo.
O que faltou fazer em nosso planejamento foi um Treinamento Mental pra Alto rendimento para ajudar a potenciar a concentração e o foco delas. Elas se convenceram que tinham que se dedicar, a partir desse momento todo mudou!

Você acredita que o XV feminino no Brasil tenha futuro?
Já é reconhecido no mundo inteiro, existe um Mundial XV feminino e a vaga de América ainda não foi conquistada por nenhum pais por falta de torneios, ou seja, é só se organizar gerar uma estrutura que o Brasil vai estar nesse mundial! Brasil tem um potencial enorme a respeito de Atletas para jogar XV, acredito que em pouco tempo vamos estar falando alto do XV feminino.

Quais seus planos para este 2013?
Por enquanto, vou trabalhar só no feminino em São José. A ideia do clube é apostar forte no Feminino, já temos categoria de base,,M-14, M-16, M-18 . Ficamos 3ª colocados no Cultura Inglesa M18 e no circuito nacional Adulto.

O que você mais gosta como treinador?
É ver a evolução e o aprendizado das meninas, como elas vão virando atletas devagarinho! A disciplina e o respeito para a hierarquia é fundamental, sem isso não existe o Rugby. Para mim a Capitã é o máximo no Rugby. Eu sempre repito o comentário que ouvi do pai de um dos jogadores de rugby que caiu no avião na Tragédia dos Andes em 1972… Ele disse! ”Se o capitão estivesse com vida, existem grandes chances de achar eles com vida”….O capitão no Rugby é isso é líder de vida.